Alimentação e Psoríase
Atualizado: 21 de jul. de 2021
Embora a maioria dos estudos sejam feitos sobre alimentos e ativos específicos e não a uma dieta específica, aderir uma alimentação saudável pode reduzir o risco de inflamação sistêmica de longo prazo, e reduzir o risco ou intensidade dos sintomas provenientes da síndrome metabólica, eventos cardiovasculares e outras doenças inflamatórias crônicas, como por exemplo, a psoríase.
Dentre as formas de alimentação “padronizadas”, a dieta mediterrânea é citada como uma maneira saudável de se alimentar.
Ela é caracterizada por uma alta proporção de frutas e verduras, legumes, cereais, pão, peixe, nozes e azeite de oliva extra virgem, que é uma fonte importante de ácidos graxos monoinsaturados - anti-inflamatório. Nela, o consumo de carne vermelha, laticínios, ovos e álcool é de baixo a moderado.
Uma possível explicação para a capacidade da alimentação saudável, de reduzir a inflamação sistêmica crônica está relacionada às propriedades benéficas (“do bem”) das fibras dietéticas, antioxidantes e polifenóis - todos significativamente presente na dieta mediterrânea.
Em 2018 um estudo de Coorte revelou uma associação inversa entre a adesão à dieta mediterrânea e a gravidade da psoríase, independentemente de variáveis sociodemográficas, história de doença cardiovascular e depressão. Ou seja, pessoas com psoríase do tipo grave tinham uma alimentação menos parecida com a alimentação proposta pela dieta de padrão mediterrâneo.
E, segundo os autores esse achado pode apoiar a hipótese de que a dieta mediterrânea está associada a psoríase menos grave (como comprovado para outras doenças inflamatórias). Porém, este mesmo estudo pode conter viés, já que, os participantes autopreenchiam fichas online e algumas informações podem ter sido omitidas ou modificadas. Contudo, o estudo avaliou severamente as respostas para reduzir ao máximo a possibilidade de viés.
Até o momento não há uma diretriz alimentar com recomendações específicas para psoríase. Porém, segundo estudos recentes, recomenda-se que sejam ingeridos alimentos que promovam menos impacto glicêmico e que as quantidades e tipo de carboidratos sejam ajustados conforme o nível de atividade física ou sedentarismo, além de questões individuais, como horário de acordar e dormir.
Segundo estudos é recomendado que se evite alimentos açucarados, sejam eles industrializados ou caseiros, e optar por frutas ou preparações com ingredientes naturalmente doces, como, tâmaras desidratadas e bananas maduras ou opções de açúcar mais interessantes nutricionalmente como açúcar demerara, de coco, stévia, entre outros.
De qualquer forma, a quantidade de açúcar deve ser controlada, já que todos podem causar impacto glicêmico e inflamatório, se consumidos em excesso.
Em relação aos alimentos de origem vegetal, os avermelhados, arroxeados e alaranjados/amarelados (de cores vibrantes) são associadas a uma maior desinflamação, por serem ricos em componentes antioxidantes, anti-inflamatórios e nutrientes importantes para o corpo, como, vitamina A, complexo B, vitaminas C e E, além de ácidos graxos poliinsaturados omega 3, e substâncias ativas como a quercetina.
É interessante priorizar alimentos “naturais”, ou seja, menos desembalados e mais descascados, como frutas, legumes, verduras, sementes, feijões e cereais integrais. Sempre que possível, orgânicos.

As preparações com ingredientes sintéticos (artificiais) não são indicadas, pois aumentam a inflamação e intoxicação do corpo.
Dentre os alimentos com maior quantidade de conservantes, corante e aromas artificiais prejudiciais estão os bolinhos industrializados, refrigerantes, balas, gomas e chicletes coloridos, cereais matinais coloridos, gelatinas coloridas, repositores de eletrólitos, energéticos, sucos e chás coloridos, principalmente os de cores neon ou intensas, como verde, laranja, rosa, além de recheios artificiais de caramelo (como os de bolachas recheadas, coberturas e sorvetes).
O consumo de carne vermelha pode estar associado a piora das lesões, assim como a gordura saturada, presente em preparações do tipo fast foods, ultraprocessadas, defumados e fritas.
Estes alimentos podem liberar substâncias tóxicas, por causa da fermentação que ocorre no intestino e ativam moléculas inflamatórias, que causam danos ao corpo e ainda pioram a condição de disbiose do intestino.
Nesse sentido, é importante consumir boas fontes de gordura: azeite de oliva ou linhaça extra-virgem, abacate, nozes e castanhas. E, priorizar proteínas podendo ser as de combinações vegetais como feijão com arroz integral, grão de bico com cevadinha e ervilhas, ou de origem animal como peixes, frango e ovos. Embora, o ovo possa estar associado a piora de lesões em alguns pacientes.
Existem relatos de que alguns alimentos como pimentão, berinjela, batata inglesa e tomate poderiam agravar ou “ativar” as lesões. Mas, não é regra e algumas pessoas não sentem diferença quando os consomem. De qualquer forma, vale a pena prestar atenção e substituí-los por outras opções, caso você perceba piora dos sintomas da psoríase.
Você pode substitui-los por cúrcuma, abobrinha, batata mandioquinha e goiaba, por exemplo.

Avaliar a quantidade de vitamina D no seu corpo através de um exame de sangue. Caso seja identificada a deficiência dessa vitamina ea deverá ser suplementada por via oral para manter as quantidades dentro dos padrões de indicação. Caso seja recomendado o(a) nutricionista e/ou médico (a) poderão prescreve-la.
Não suplemente nenhuma vitamina sem supervisão de nutricionista ou médico(a).
Para algumas pessoas, expor as lesões ao sol pode ajudar a diminuir a coceira. Mas, isso não é uma recomendação geral. A exposição ao sol deve ser indicada pelo seu médico dermatologista.
O uso do protetor solar é importante e não implica em menores níveis de vitamina D, segundo a recomendação da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Uma alimentação pobre em nutrientes, fibras e água altera a microbiota intestinal e assim, promove respostas imunológicas inadequadas que podem desencadear doenças autoimunes e sistêmicas. Por isso, incluir na rotina alimentar algumas fontes de prebioticos como farinha ou biomassa de banana verde, chicória, psillyum e aspargos verdes é importante e garante a "alimentação" necessárias para suas bactérias do bem continuarem vivas.
Ao realizar o acompanhamento nutricional, com nutricionista, poderão ser prescritos pré e probióticos, de forma individualizada, para contribuir ao bom funcionamento do intestino, gerado pelo reequilíbrio da flora.
Além disso, complementos alimentares como coenzima Q10 e fitoterápicos como a cúrcuma podem ser associados ao tratamento, caso você se encaixe no perfil de indicação.
Nunca inicie um complemento alimentar sem orientação e indicação de nutricionista ou médico(a).
Evite excesso de peso. Uma alimentação com controle calórico, juntamente com o controle do peso - sendo recomendado redução moderada, de 5 a 10% do peso corporal, nos casos em que haja excesso – pode aumentar a capacidade de resposta a tratamentos sistêmicos, incluindo produtos biológicos.
O acompanhamento com nutricionista é fundamental para ajustar calorias e quais alimentos devem ser priorizados dependendo das suas atividades do dia-a-dia e também de possíveis doenças associadas.
Profissionais que podem auxiliar você na jornada do controle, dependendo do tipo de psoríase e se há doenças crônicas associadas são dermatologista, nutricionista, psicólogo(a), psiquiatra, reumatologista, educador físico, endocrinologista, podólogo, fisioterapeuta. Além de técnicas como aromaterapia, yoga, dança, alongamento, dentre outras que ajudam a reduzir o estresse e melhoram a qualidade de vida.
Ainda que a alimentação não seja a escolha de tratamento primário para a psoríase, ela pode ser considerada um tratamento adjuvante aos tratamentos de primeira linha, agindo sinergicamente em prol de melhores resultados e amenizando ou prevenindo complicações de doenças associadas, como cardiovasculares.
Além das recomendações nutricionais é fundamental seguir com o tratamento proposto pela equipe médica que acompanha você.
Procure controlar fatores que podem iniciar, agravar ou desencadear a piora das lesões como estresse, tabagismo, alcoolismo, obesidade, infecções e o uso de algumas medicações, que devem ser conversados com seu(a) médico(a) para maiores esclarecimentos.
Parar de tomar remédios por conta própria NÃO é indicado e pode piorar a situação.
Cuide da sua psoríase com carinho, ela não tem cura, mas tem tratamento!
Alyne Venson
Nutricionista
Especialista em Fitoterapia
FITO0235/CRN4
Fonte:Psoríase Brasil, acesso julho, 2021.
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